Finalmente criei vergonha na cara e comprei o gravador de DVD que estava postergando há tanto tempo. É um Samsung SE-S184M externo, USB. De “brinde”, no Submarino, levei um tubo com 50 discos DVD-R da Memorex. A instalação não poderia ser mais fácil. Alias, que instalação? Foi só plugar na tomada, numa porta USB do Mac Mini e pronto. Sem drivers a instalar, sem software proprietário maluco. Posso queimar DVDs direto do Finder ou usar o Toast Titanium 7 (ou programas alternativos como o LiquidCD e Disco) se preferir. Porque tudo não pode ser fácil assim?
Tenho passado as noites frias (muito frias!) deste outono paulista dedicado ao velho projeto de passar toda minha coleção de animes de CDs de qualidade duvidosa pra DVD. Pra um nerd como eu, é uma delícia ver uma série como RahXephon “encolher” de 7 CDs para apenas um DVD. Desse jeito vou liberar muito espaço no rack (que já estava pedindo uma expansão) e acabar com várias caixinhas de CD livres para uso futuro.
O inconveniente é encontrar, de vez em quando, uma série perdida por causa de um CD ilegível. Mas nada que uma rápida passada no mininova e algumas horas de BitTorrent não resolvam, geralmente com resolução e extras melhores do que as versões que eu tinha: estou encontrando muitas das séries em arquivos .ogm ou .mkv, com dual-audio (inglês e japonês) e várias opções de legendas. Melhor, só num DVD original.
E para o problema com os CDs não se repetir nos DVDs, estou tomando providências. Já estou considerando caixinhas opacas (mídia óptica e luz solar não combinam, e todo meu apartamento pega bastante sol) e de olho na qualidade da mídia. Para isso, uso como referência a escala do Digital FAQ. Basta pegar uma mídia DVD suspeita, abrir seu programa de gravação favorito, pedir informações do disco e comparar o código do fabricante com a tabela para ver qual a reputação.
Os Memorex que vieram com o gravador são “segunda linha”, para uso geral. É difícil encontrar mídias “primeira linha” aqui no Brasil, e elas são bem mais caras. Mas um aviso: cuidado com as imitações. Algumas empresas alteram o código do fabricante no disco, e a única explicação para isso é a vontade de enganar o consumidor e passar um produto ruim como sendo de qualidade. Notei hoje que os discos DVD-R da Multilaser (baratinhos) se identificam como Tayo-Yuden, uma das marcas mais respeitadas (e caras) no mercado. Alguém acredita? Provavelmente são produtos da Infosmart ou Optodisc, marcas de “quarta linha” (lixo) conhecidas por falsificar IDs.




E não é que me encontraram? Esclarecimento da Multilaser:
“A Multilaser é uma das maiores empresas de mídia do país, com 20 anos de mercado e vendas em torno 20 milhões de mídias por mês. Devido ao grande volume, a Multilaser consegue custos muito competitivos e os repassa ao consumidor brasileiro, trazendo mídia de qualidade e preço agressivo.
Preocupada com a qualidade dos produtos, a maioria dos nossos fornecedores são os mesmos que fornecem para grandes marcas como SONY, PHILIPS, SAMSUNG, LG entre outras. Realizamos controle de qualidade por amostragem de 100% dos lotes durante a produção, antes do embarque e após o desembarque, para garantir qualidade total aos clientes.
A Multilaser nunca praticou e nunca praticará a adulteração dos códigos de mídia. Isso estaria em desacordo com a filosofia de trabalho da empresa e não faria nenhum sentido prático, uma vez que 99,9% dos clientes não fazem checagem por software. ”
Notem que no texto não acusei a Multilaser propriamente dita de falsificar o ID. Apenas constatei o fato de que os discos que ela vende tem o ID falsificado, provavelmente pelo fornecedor. O “Media ID” reporta um disco Tayo-Yuden, mas o HUB code não bate. Simple as that.