Em 1999 o UOL resolveu reinventar a roda e lançou um sistema de mensagens instantâneas proprietário chamado ComVC. Fracasso total, logo viram que não poderiam concorrer com o líder da categoria na época, o ICQ (que pouca gente, eu incluso, ainda usa). Mas hoje eles provaram que com um pouco de esforço é possível suprir um déficit nato de bom-senso[1]: lançaram um outro cliente de mensagens instantâneas, o UOL Messenger (ainda em beta). Mas peraí, o que bom-senso tem a ver com repetir o mesmo erro?
Bom, aparentemente não estão repetindo, e a nova tentativa tem quatro pontos fortes. Primeiro acerto: é multiprotocolo E multiconta. Dá pra usar ele e continuar conversando com os amigos que tem ICQ, MSN, Yahooo! e Jabber (ou GoogleTalk)[2], e configurar múltiplas contas em cada sistema. Segundo acerto: interface limpa, sem trocentos mil banners de propaganda de aparelhos de ginástica ou distribuidoras de currículos. Terceiro acerto: suporta SSL, ou seja, conversa segura entre ambas as partes, com dados criptografados (desde que ambos tenham um UOL messenger ou, suponho, um cliente compatível). Quarto, e maior, acerto: Ele é Open Source.
Não, você não leu errado. Ele é construído com base em código livre, e portanto seu código fonte também é redistribuído sob uma licença livre (CC-GPL). E nem tá escondido, tem um link pro código logo no rodapé da página de download. Só espero que os “piratas da internet” não se aproveitem disso pra criar e disseminar versões comprometidas do programa, com keyloggers e spyware embutido.
Só por causa dos quatro acertos acima, fiquei até com vontade de testar o programa (mesmo com toda a minha mentalidade anti-UOL). Vou baixar amanhã e ver se ele cumpre o que promete. E a vaquinha mascote*, ali em cima, é muito bonitinha 
* - Explicando a vaca: é que, segundo o UOL, o programa é MUUUUUito fácil de usar.
[1] A lista de burradas deles é grande: ComVC, Kit UOL (AARGH!), UOL Fone, UOL K…
[2] Cadê AIM? - Acho que tiraram porque a AOL Brasil não existe mais, e só quem tinha AOL (e usuário de Mac) usava aquilo por aqui.